segunda-feira, 17 de agosto de 2026

waiting for the sun

nas sombras, tocando estrelas
nesta vida de cativo e amante
neste tênue luar que me abarca
e que nunca saberei nomear

neste acrobata que criei
não fui capaz de vencer o instinto-natural-visceral

espera de tantas vidas
espera de tantas mortes
ilumine meu caminho

(acho curioso arrastar um caixão
caminhando sozinho)

te encontro ao fechar os olhos.

11/08/2026.

quando abrir a janela

quando abrir a janela
verei um garoto olhando o céu

quando abrir a janela
verei um garoto sonhando estrelas

quando os vidros estilhaçaram vi um garoto ferido
e os cacos eram espelhos
e o silêncio era absoluto

apenas um pulsar de vida
vindo de uma história qualquer
                       — a minha.

17/08/2026.

child in time

minhas lágrimas não saberiam
nem por onde começar
.
.
.
terra nas unhas
do tanto que cavei

terra na unhas
do tanto que busquei

terra nas unhas
e só me restaram os dentes



para rasgar a vida-víscera
e mastigar a ferida.

16/08/2026.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

metal

metal

ritmo da vida, sinas e dores

de um Deus que é / mortal

---

seu vazio e seus passos

o mesmo espanto e encanto.

---


06/05/2026.

para não dizer adeus VIII

amanhecer - anoitecer


amanhecer que tinge um novo tom para

a vida

amanhecer que carrega as velhas memórias

e traça seu caminho até as estrelas

amanhecer de herança e sina

que habita meus pensamentos

e me faz buscar bem mais do que vem

nos milagres


na água que toco

no corpo que descansa

na janela que abro

no chão que piso descalço


amanhecer de herança e sina

simples e azul.

como tudo deveria ser.


anoitecer que não esperava

anoitecer com cheiro de lavanda

era para ser escuridão

veio a iluminação de sonhos evaporados

anoitecer do novo e do belo

anoitecer de uma semente que sai do copinho de café que germina um feijão novinho


anoitecer de esperança do verde

o azul que tem amarelo;

esverdeou


na água que bebo

no corpo que acorda

na janela que se fecha

no chão que me sublima


30/04/2026.

para não dizer adeus VII

um espírito quebrado carrega seus mortos

em seu bolso há cacos e tijolos

um espírito quebrado carrega suas palavras

em sua boca há cacos e tijolos

um espírito quebrado se olha no espelho

e lembra-se das estacas em seu coração

estilhaços

gritos

lágrimas

choro

sirenes

um espírito quebrado vive em silêncio

ainda que as janelas permaneçam abertas

e o homem que o carrega persegue o

                                         amanhecer.


23/04/2026.

para não dizer adeus VI

this is the way

step inside

what still remains?

---

o que sobra da casa das dores?

das suas janelas quebradas

dos seus gritos que acompanham meu sono

de ter aprendido cedo demais

                           que já era muito tarde

abro a porta para o quintal (raízes)

caminho descalço no mesmo chão da sua

morte

observo os pelos que restaram

a vasilha com água

a coleira que te enforcou

se ainda fosse criança, inventaria uma história

que te daria vida

que nos daria vida

mas ali eu já era uma outra coisa

qualquer


aguardando

o conto que nunca escrevi

o sentido que nunca recuperei

a sensação de olhar as nuvens que nunca

voltou


esta vida cambaleante

o que me resta encontrar?

este jogo de sombras fluindo com violência


acontece

acontece que encontrei o intervalo arrancado

da memória

e o que devo fazer com isso?

rastrear folhas e galhos?

encontrar o tijolo quebrado?

[...]

esperando por você

eu estou esperando por você (?).


23/04/2026.