metal
ritmo da vida, sinas e dores
de um Deus que é / mortal
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seu vazio e seus passos
o mesmo espanto e encanto.
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06/05/2026.
metal
ritmo da vida, sinas e dores
de um Deus que é / mortal
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seu vazio e seus passos
o mesmo espanto e encanto.
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06/05/2026.
amanhecer - anoitecer
amanhecer que tinge um novo tom para
a vida
amanhecer que carrega as velhas memórias
e traça seu caminho até as estrelas
amanhecer de herança e sina
que habita meus pensamentos
e me faz buscar bem mais do que vem
nos milagres
na água que toco
no corpo que descansa
na janela que abro
no chão que piso descalço
amanhecer de herança e sina
simples e azul.
como tudo deveria ser.
anoitecer que não esperava
anoitecer com cheiro de lavanda
era para ser escuridão
veio a iluminação de sonhos evaporados
anoitecer do novo e do belo
anoitecer de uma semente que sai do copinho de café que germina um feijão novinho
anoitecer de esperança do verde
o azul que tem amarelo;
esverdeou
na água que bebo
no corpo que acorda
na janela que se fecha
no chão que me sublima
30/04/2026.
um espírito quebrado carrega seus mortos
em seu bolso há cacos e tijolos
um espírito quebrado carrega suas palavras
em sua boca há cacos e tijolos
um espírito quebrado se olha no espelho
e lembra-se das estacas em seu coração
estilhaços
gritos
lágrimas
choro
sirenes
um espírito quebrado vive em silêncio
ainda que as janelas permaneçam abertas
e o homem que o carrega persegue o
amanhecer.
23/04/2026.
this is the way
step inside
what still remains?
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o que sobra da casa das dores?
das suas janelas quebradas
dos seus gritos que acompanham meu sono
de ter aprendido cedo demais
que já era muito tarde
abro a porta para o quintal (raízes)
caminho descalço no mesmo chão da sua
morte
observo os pelos que restaram
a vasilha com água
a coleira que te enforcou
se ainda fosse criança, inventaria uma história
que te daria vida
que nos daria vida
mas ali eu já era uma outra coisa
qualquer
aguardando
o conto que nunca escrevi
o sentido que nunca recuperei
a sensação de olhar as nuvens que nunca
voltou
esta vida cambaleante
o que me resta encontrar?
este jogo de sombras fluindo com violência
acontece
acontece que encontrei o intervalo arrancado
da memória
e o que devo fazer com isso?
rastrear folhas e galhos?
encontrar o tijolo quebrado?
[...]
esperando por você
eu estou esperando por você (?).
23/04/2026.
não observo o corpo
sinto o corpo
movimento-o rapidamente
atravesso — os dias, as vísceras
múltiplas palavras e pensamentos atravessam o
corpo
agarro o que posso
e sigo em movimento
sem me libertar das amarradas
questiono — o corpo, os sentidos
devoro — a vida.
pouco me importa o corpo.
o que quero não está aqui.
16/04/2026.
alimento sobre a mesa
nutrindo a memória que vigia através da
carne
meu avô que colhia
minha avó que cuidava
a criança que ria
e sonhava
[...]
o vento dissipa o cheiro e os fragmentos
tenho apenas o alimento sobre a mesa
revelando a vida que insiste através da
carne
apenas os meus mortos
apenas a noite em que voltarei para buscá-los.
16/04/2026.
um corpo que cai
[um corpo que sangra
um corpo com mãos vazias, rachadas e
quebradas
um corpo que] sente o toque do sol
e tenta se recordar de que isso já significou algo um dia
um corpo que não quer ser corpo
(um passo
além do que há aqui
um passo
distante de mim
um passo
em direção aos meus mortos
um passo
ou um mergulho?
um passo
tão antigo... tão vivo... insisto. e sonho estrelas).
09/04/2026.
o cheiro de chuva na minha terra
a voz dos meus avós ecoando pelos corredores
o sonho que resiste alguns segundos a mais
em cada novo amanhecer
como explicar uma saudade tão antiga?
com que palavras descrever minha própria
vida?
02/04/2026
o vento pesa mais do que as preces
pois minha reza não chega aos céus
(tenho uma palavra à minha espera)
a vida se dissolve em cada novo amanhecer
enquanto busco o que nunca encontrei
(tenho uma morte à minha espera)
finalmente aprendi a linguagem de
Deus:
tenho uma cólera à minha espera.
02/04/2026