sexta-feira, 5 de junho de 2026

metal

metal

ritmo da vida, sinas e dores

de um Deus que é / mortal

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seu vazio e seus passos

o mesmo espanto e encanto.

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06/05/2026.

para não dizer adeus VIII

amanhecer - anoitecer


amanhecer que tinge um novo tom para

a vida

amanhecer que carrega as velhas memórias

e traça seu caminho até as estrelas

amanhecer de herança e sina

que habita meus pensamentos

e me faz buscar bem mais do que vem

nos milagres


na água que toco

no corpo que descansa

na janela que abro

no chão que piso descalço


amanhecer de herança e sina

simples e azul.

como tudo deveria ser.


anoitecer que não esperava

anoitecer com cheiro de lavanda

era para ser escuridão

veio a iluminação de sonhos evaporados

anoitecer do novo e do belo

anoitecer de uma semente que sai do copinho de café que germina um feijão novinho


anoitecer de esperança do verde

o azul que tem amarelo;

esverdeou


na água que bebo

no corpo que acorda

na janela que se fecha

no chão que me sublima


30/04/2026.

para não dizer adeus VII

um espírito quebrado carrega seus mortos

em seu bolso há cacos e tijolos

um espírito quebrado carrega suas palavras

em sua boca há cacos e tijolos

um espírito quebrado se olha no espelho

e lembra-se das estacas em seu coração

estilhaços

gritos

lágrimas

choro

sirenes

um espírito quebrado vive em silêncio

ainda que as janelas permaneçam abertas

e o homem que o carrega persegue o

                                         amanhecer.


23/04/2026.

para não dizer adeus VI

this is the way

step inside

what still remains?

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o que sobra da casa das dores?

das suas janelas quebradas

dos seus gritos que acompanham meu sono

de ter aprendido cedo demais

                           que já era muito tarde

abro a porta para o quintal (raízes)

caminho descalço no mesmo chão da sua

morte

observo os pelos que restaram

a vasilha com água

a coleira que te enforcou

se ainda fosse criança, inventaria uma história

que te daria vida

que nos daria vida

mas ali eu já era uma outra coisa

qualquer


aguardando

o conto que nunca escrevi

o sentido que nunca recuperei

a sensação de olhar as nuvens que nunca

voltou


esta vida cambaleante

o que me resta encontrar?

este jogo de sombras fluindo com violência


acontece

acontece que encontrei o intervalo arrancado

da memória

e o que devo fazer com isso?

rastrear folhas e galhos?

encontrar o tijolo quebrado?

[...]

esperando por você

eu estou esperando por você (?).


23/04/2026.


para não dizer adeus V

não observo o corpo

sinto o corpo

movimento-o rapidamente

atravesso — os dias, as vísceras

múltiplas palavras e pensamentos atravessam o

corpo

agarro o que posso

e sigo em movimento

sem me libertar das amarradas

questiono — o corpo, os sentidos

devoro — a vida.


pouco me importa o corpo.

o que quero não está aqui.


16/04/2026.

para não dizer adeus IV

alimento sobre a mesa

nutrindo a memória que vigia através da

                                                        carne


meu avô que colhia

minha avó que cuidava

a criança que ria

           e sonhava


[...]


o vento dissipa o cheiro e os fragmentos

tenho apenas o alimento sobre a mesa

revelando a vida que insiste através da

                                                     carne


apenas os meus mortos

apenas a noite em que voltarei para buscá-los.


16/04/2026.

para não dizer adeus III

 um corpo que cai

[um corpo que sangra

um corpo com mãos vazias, rachadas e

quebradas

um corpo que] sente o toque do sol

e tenta se recordar de que isso já significou algo um dia

um corpo que não quer ser corpo

(um passo

além do que há aqui


um passo

distante de mim


um passo

em direção aos meus mortos


um passo

ou um mergulho?


um passo

tão antigo... tão vivo... insisto. e sonho estrelas).


09/04/2026.

para não dizer adeus II

o cheiro de chuva na minha terra

a voz dos meus avós ecoando pelos corredores

o sonho que resiste alguns segundos a mais

em cada novo amanhecer


como explicar uma saudade tão antiga?

com que palavras descrever minha própria

vida?


02/04/2026

para não dizer adeus I

o vento pesa mais do que as preces

pois minha reza não chega aos céus

(tenho uma palavra à minha espera)


a vida se dissolve em cada novo amanhecer

enquanto busco o que nunca encontrei

(tenho uma morte à minha espera)


finalmente aprendi a linguagem de

Deus:

tenho uma cólera à minha espera.


02/04/2026